Faz hoje 12 dias: Diogo Sabrosa, 4 anos, foi tragado pelo mar da Praia da Quebrada, Matosinhos. Esta quarta-feira à noite, 200 pessoas juntaram-se em vigília e lançaram flores e preces ao mar: "Mãe de Deus, devolve-nos o corpo dele".
Estão ainda debaixo do horror e da negação, os dois estados intermédios da perda, Bernardete e Serafim Sabrosa, pais de Diogo, o miúdo de 4 anos, sobrinho do futebolista Simão Sabrosa, desaparecido no dia 15, engolido no mar de um domingo de sol. Debaixo desse choque sísmico, não chegaram ainda ao patamar da aceitação, não podem começar o luto que lhes poderá pacificar a preservação da memória.
O corpo ainda não apareceu; a esperança de vida é um fio muito fino. Mas as buscas continuam, alargadas agora a uma área de sete quilómetros, de Angeiras à Foz do Douro. A Autoridade Marítima de Leixões confirma manter cinco homens no caso, apoiados em moto 4, viatura TT e lancha do Instituto de Socorros a Náufragos, com buscas na costa e no mar. "É uma zona da nossa responsabilidade. Só paramos quando acharmos o corpo", disse, ao JN, o segundo-comandante Barbosa.
Católicos, Bernardete e Serafim pedem em fé que o mar lhes devolva o corpo do filho furtado. Não estão sozinhos na prece: ontem à noite, familiares, amigos, vizinhos juntaram-se a eles para uma missa na Igreja de Leça - "Ó mar, devolve o corpo do Diogo", pediu directamente o padre na breve homilia da celebração - e seguiram depois em cortejo nocturno, Avenida dos Combatentes abaixo, até à praia.
Rezou incessantemente o cortejo, Bernardete e Serafim a levar nos braços a memória do filho - o pai vestia uma t-shirt onde está estampado o seu olhar fugido, agarrado ao ursinho de dormir do petiz; a mãe, também com o Diogo vestido, não largava uma grande foto do filho -, eles e todos os outros de velas brancas e flores na mão, o cortejo a descer em suspiro.
As preces foram directas, dirigidas à Mãe de Jesus, com o coro a pedir em salmo a clemência do céu: "Atendei Senhor o nosso coração, mãe de misericórdia pegai nele ao colo como pegaste em Jesus, mãe de todas as mães, devolve o nosso Diogo, dá-nos o corpo dele".
Chegado o cortejo à marginal de Leça, as duas centenas de pessoas continuaram a rezar, desceram à areia branca na noite salgada e lançaram as frágeis flores e as preces, enleados no murmúrio do mar.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário